quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Destruição de sítios arqueológicos em Brumadinho

Mais uma vez temos um impacto ambiental (destruição do patrimonio arqueológico) com graves consequências, e isto graças a que estudos de impactos ambientais não foram realizados. Assim, fica a porta aberta para a Vale sempre ter a desculpa que não sabia de nada. A melhor estratégia é a desinformação. 



VITÓRIA DA LUTA: Suspensão de obra da Vale em Ponte das Almorreimas, em Brumadinho, MG! Parem de destruir nosso território!


Moradores de Ponte das Almorreimas, em Brumadinho, MG, indicando fragmentos de utensílios pré-coloniais, que restaram após passagem de retroescavadeira a serviço da mineradora Vale no local. Ao fundo, alinhamento de Muro de Pedras também destruído na mesma ocasião.  Município: Brumadinho, MG. Foto: A. Baeta, 26 de dezembro de 2019.

A mineradora Vale está querendo transformar o território da comunidade rural Ponte das Almorreimas e arredores, em Brumadinho, MG, em uma grande zona de sacrifício e de injustiça socioambiental, realizando obras que estão devastando a região na perspectiva socioambiental e cultural, alegando se tratar de projetos de “caráter emergencial” ou de “interesse social” no já tão devastado município de Brumadinho em decorrência da Tragédia-Crime da Vale com a anuência do Estado, que ocorreu no dia 25 de janeiro de 2019, com o rompimento da Barragem da mina do Córrego do Feijão. A sequência de tragédias se instalou desde então em Brumadinho. Ponte das Almorreimas merece atenção especial em função das inúmeras injustiças e arbitrariedades que ali vem sendo realizadas contra a sua população e o meio ambiente.
Após comunidade local e a Arquidiocese de Belo Horizonte realizarem várias denúncias de irregularidades, destruição de patrimônio cultural e violação dos direitos humanos ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), durante as obras que envolvem o denominado “Projeto da Nova Captação de Água” no rio Paraopeba, o IPHAN em Minas Gerais, no dia 21 de fevereiro, após analisar a documentação, decidiu corretamente pela paralisação/embargo da obra, pois foi demonstrado que teria sido induzido ao erro pela mineradora Vale.
  A SUSPENSÃO/EMBARGO
Em 17 de fevereiro deste ano realizou-se, nas dependências da Capela São Vicente de Paulo na comunidade de Ponte das Almorreimas, município de Brumadinho/MG, reunião convocada pelo Procurador da República do MPF, Dr. Edmundo Antônio Dias Netto Júnior, por representantes da comunidade de Ponte de Almorreimas, com a presença de advogada da Arquidiocese de Belo Horizonte e de proprietários de terreno, da Defensoria Pública de MG e de representantes do IPHAN-MG (Superintendente substituta Dra. Daniela Castro e servidor Dr. José Neves Bittencourt).
O motivo da convocação da referida reunião visava atender a denúncia encaminhada pela Comunidade e pela Arquidiocese, apoiado por laudo técnico emitido por consultora científica (historiadora e pós-doutora em Arqueologia) indicada pelas mesmas, que relatou destruição de segmento de muro centenário de alvenaria de pedras, bem como, presença de sítio arqueológico pré-histórico adjacente, destruído pelas obras associadas ao projeto de Nova Captação de Água no rio Paraopeba. 
É fato que o resgate do segmento de muro de pedras denominado como “Sítio arqueológico Muro de Pedras Almorreimas I” foi autorizado pelo IPHAN-MG, sob a alegação da empresa VALE/SA de urgência dessa obra, com a argumentação de ser imprescindível para manter a segurança hídrica e o abastecimento de Belo Horizonte e toda Região Metropolitana de, considerando ainda a afirmação de ausência de alternativa locacional.
O IPHAN-MG, considerando que para fins da autorização ao salvamento emergencial de Patrimônio Cultural de natureza arqueológica, determinou à Vale e a seus consultores os seguintes procedimentos:
a) se garantisse a não interferência dos consultores científicos do interessado em subsuperfície;
b) fosse realizada a composição de documentário gráfico, cartográfico e fotográfico detalhado da estrutura a ser resgatada, incluindo maquete eletrônica da mesma;
c) se inspecionasse e documentasse a paisagem na qual se insere a estrutura;
d) e que as obras de supressão da estrutura fossem acompanhadas por arqueólogo da consultoria científica do interessado.
Todavia, passados mais de 40 dias, após as denúncias da comunidade junto ao IPHAN e MPF, que as atividades desenvolvidas no local estariam em total desacordo com as determinações do IPHAN, a saber:
1) interferência em subsuperfície com a utilização de maquinário pesado nas proximidades do segmento de muro de pedras resgatado;
2) obliteração, de acordo com denúncia da comunidade, de sítio arqueológico pré-histórico, cuja existência seria de amplo conhecimento local (há registros fotográficos e filmagens);
3) informação por parte dos moradores e proprietários do terreno de que nunca foram procurados ou abordados por pesquisadores/consultores de arqueologia e que não havia pesquisadores desta área durante a retirada e posterior transporte dos “blocos de pedra remanescentes” para um pátio da Vale (há filmagens que comprovam tais informações. Conferir links abaixo);
4) Indicação de intensa movimentação de solo, não discutida e muito menos devidamente autorizada por esta Repartição Federal.
Frente a este cenário alarmante de irregularidades e injustiça socioambiental e histórico-arqueológica, o IPHAN-MG, por meio de sua Superintendência determinou a imediata suspensão das obras da “Nova Captação de Água no rio Paraopeba”, em Ponte das Almorreimas.


Foto parcial do Documento do IFHAN, em MG, determinando a SUSPENSÃO das Obras da Vale em Ponte das Almorreimas, Brumadinho, MG, com assinatura eletrônica e data de 21/02/2020.

Os representantes da comunidade de Ponte de Almorreimas, bem como, da Arquidiocese de Belo Horizonte, em Brumadinho, reiteram que não foram informados durante reuniões sobre a intenção por parte da empresa Vale de destruição do segmento de Muro de Pedras, muito menos do sítio arqueológico pré-colonial Ponte das Almorreimas em ocasião anterior à sua mutilação, em 14 de dezembro de 2019. Teria sido apropriado e correto, seguindo as esteiras dos direitos humanos e patrimoniais, que fosse discutida com os mesmos a “possibilidade”, ou melhor, a “intenção” de destruição do segmento do muro de pedras por parte da Vale, o que não ocorreu. Inclusive, o segmento de muro já destruído encontrava-se bem próximo ao fundo da Capela São Vicente de Paulo, local de atividades religiosas e comunitárias.
O direito à transparência e à informação é imprescindível no campo das memórias e dos direitos humanos. Obviamente, antes da destruição de um bem cultural (que sempre deve ser a última opção, mesmo sob a justificativa de projetos “emergenciais”), todas as informações deveriam ter sido expostas às partes interessadas e envolvidas. Por que destruir o Muro de Pedras que passa rente à Capela São Vicente de Paulo (lugar sagrado para a comunidade) e o sítio arqueológico pré-colonial? Por que não seria possível preservá-los? Quais seriam de fato as alternativas dessa obra, evitando tal mutilação?
A comunidade de Ponte das Almorreimas e a Arquidiocese de Belo Horizonte e seus advogados enfatizam que não abrem mão do direito de defender sua memória, de estabelecer diálogo junto aos órgãos patrimoniais e ambientais e exigem respeito aos seus direitos fundamentais. Ainda denunciaram que as pedras do muro retiradas do sítio arqueológico de forma irregular, devastando e esburacando o terreno, foram levadas para outra localidade próxima que também teria outro sítio arqueológico e que este também estaria sendo obliterado e destruído.  
Espera-se que o Ministério Público Federal e o IPHAN-MG atuem em Ponte das Almorreimas de forma firme daqui para frente, pois não é mais possível aceitar tantas irregularidades e conivências das instituições locais, que culminaram na destruição de patrimônio cultural histórico e pré-colonial, além de inúmeras situações envolvendo manipulações e intimidação de representantes e de lideranças da comunidade. Aguarda-se a aplicação de multa crime justa à mineradora Vale infratora e que esta seja revertida diretamente para a região que abrange Ponte das Almorreimas, que sofreu de fato os danos, e que representantes da comunidade e da Arquidiocese de Belo Horizonte participem de forma efetiva e direta junto ao MPF e IPHAN, sem interferências da Vale, na determinação dos programas e das atividades de ressarcimento.
Foi enfatizada pela comunidade na reunião que obviamente ela não aceitará que a mineradora Vale, seus contratados e consultores diretos realizem os programas, mas que paguem a multa imediatamente após a sua determinação.  A comunidade local exige posturas éticas de todas as instituições envolvidas, informando que se sente consternada no âmbito de suas memórias, de seus territórios, de seus espaços sagrados (religiosos), diante da violação de seus direitos. Seguindo a linha de análise do promotor de justiça, expoente no país sobre o tema aqui tratado, em artigo sobre “jurisprudência Brasileira Criminal”, Dr. Marcos Paulo de Souza Miranda adverte:
“(…) a proteção dos bens de valor para a arqueologia constitui obrigação moral de todo ser humano e constitui também responsabilidade pública coletiva, que deve traduzir-se na adoção de uma legislação adequada que proíba a destruição, degradação ou alteração de qualquer monumento, sítio arqueológico ou seu entorno, sem a anuência das instâncias competentes, prevendo-se a aplicação de sanções adequadas aos degradadores desses bens” (MIRANDA, 2002:65).           
  Deturpações de leis consagradas, lamentavelmente, vêm sendo usadas contra florestas, bens hídricos, povos tradicionais, comunidades, territórios culturais, patrimônio arqueológico e memória nacional, muitas das vezes, justificadas por obras de “interesse social” e “emergenciais”, com a conivência do Estado, que estão mutilando raízes e memórias que tecem as redes sociais e territoriais de localidades e de seus moradores já tão fragilizados, no caso aqui tratado, em decorrência do crime/tragédia socioambiental referente ao rompimento da barragem de propriedade da mineradora Vale na Mina Córrego do Feijão, no município de Brumadinho, no dia 25 de janeiro de 2019.
Justiça, Transparência e Respeito em Ponte das Almorreimas!     
Títulos e Documentos Consultados:
BAETA, A. “Destruição e Ameaça ao Patrimônio Arqueológico e Cultural de Ponte Das Almorreimas, município Brumadinho, MG. (Laudo) Arquidiocese de Belo Horizonte, MG/Comunidade Ponte das Almorreimas, Brumadinho, Janeiro de 2020. 34p.
DUARTE, N. M. Relatório de Reunião “Danos a Patrimônio Arqueológico”, MPE, Belo Horizonte, 27 de janeiro de 2020. 2 p.
IPHAN Ofício Nº 544/2020/DIVAP IPHAN-MG/IPHAN-MG-IPHAN
IPHAN Cartas Patrimoniais Brasília: IPHAN, 1995.
PRICE, N. P. S. Patrimônio Natural e Arqueológico. Ética na intervenção para a conservação do patrimônio arqueológico e natural. Anais Seminário Internacional Prevenção: a Ética das Intervenções. Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico – MG, 1996. 
MIRANDA, M. P. de S. Tutela Penal do Patrimônio Arqueológico Brasileiro. In: Jurispridência Brasileira Criminal. Curitiba: Juruá, 2002.
MIRANDA, M. P. de S. & ALVARENGA, L. Valos, Currais e Muros de Pedra em Minas Gerais: história, ressignificação de paisagens e patrimonialização. IN SITU, n.8, Abril, Lagoa Santa, 2017. 
MOREIRA, G. L., Em Brumadinho, a Vale causa outros crimes. In: Revista Consciência Net, 30/12/2019.
http://www.cptmg.org.br/portal/vitoria-da-luta-suspensao-de-obra-da-vale-em-ponte-das-almorreimas-em-brumadinho-mg-parem-de-destruir-nosso-territorio/


Filme sobre Minamata cita o crime de Brumadinho

Johnny Depp estrela Minamata, filme que cita tragédia de Brumadinho

Ator de Piratas do Caribe é um fotógrafo na produção de Andrew Levitas


Durante o Festival de Berlim 2020, novas informações sobre o filme Minamata foram divulgadas. A produção estrelada por Johnny Depp (Piratas do Caribe, Alice no País das Maravilhas) é baseada em fatos reais e menciona a tragédia de Brumadinho.
No longa-metragem, Depp interpreta W. Eugene Smith, um fotógrafo que acompanhou de perto o desastre de Minamata, que envenenou com mercúrio centenas de pessoas da cidade de Minamata, no Japão, em 1956.

Johnny Depp estrela Minamata. Imagem: Divulgação

Durante os créditos finais, o filme exibe diversas fotos de tragédias ambientais que aconteceram ao redor do mundo nos últimos anos. O rompimento das barragens de Brumadinho, que aconteceu em 2019 no Brasil, é um dos desastres mencionados por Minamata (via Adoro Cinema).
O filme é dirigido por Andrew Levitas (A Última Canção) e ainda não possui data de estreia no Brasil.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Barragens em risco iminente de rompimento


Após chuvas, ANM vê risco iminente de rompimento de quatro barragens da Vale

Agência aponta nível máximo de risco de barragens de Ouro Preto, Barão de Cocais e Macacos, em Nova Lima
Por DANIELE FRANCO | ESPECIAL PARA O TEMPO
20/02/20 - 19h44
Segundo o procurador federal da AGU Marcelo Kokke, que representa a ANM, desde que as estruturas tiveram o risco apontado, há um esforço das autoridades para fazer com que a Vale trabalhe no monitoramento e reparo de danos nos locais. 
"A Vale não desenvolveu suficientemente planos de segurança de atuação em cenários de risco e vem alegando que não vai colocar nenhum trabalhador para atuar presencialmente no local porque não há segurança, mas o que vemos é que é necessária essa atuação porque se a chuva continuar, as barragens vão romper", alerta.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

MPMG contra Fundação Renova -Vale S.A.




O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) instaurou um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades no acordo entre a Fundação Renova (formada pelas empresas Vale, BHP e Samarco) e a população atingida com o rompimento da barragem de Fundão em Mariana, na Região Central de Minas, em 5 de novembro de 2015.

De acordo com o ofício da Promotoria de Justiça, a Fundação Renova tem descumprido vários acordos, entre eles, um firmado em 8 de agosto de 2018, em que tinha como objeto a definição de critérios e de diretrizes para a priorização de contratação/compra de mão de obra, produtos e/ou serviços produzidos e/ou comercializados em Mariana

Segundo a promotoria, o descumprimento dos acordos seria principalmente em relação à Mariana e o distrito de Monsenhor Horta.

O documento também pede a certificação por auditoria independente sobre os tributos recolhidos pela Fundação e aferição da prestação de contas pelo MP.

A promotoria ainda constatou atrasos nos trabalhos da Fundação Renova e caracterizou como “ineficiência”.

O requerimento da Promotoria de Justiça alega a falta de transparência da Fundação em relação a dados e informações que deveriam ser disponibilizados aos atingidos.


https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2020/02/17/interna_gerais,1122462/ministerio-publico-instaura-procedimento-contra-atividades-da-renova.shtml

#desastre de mariana #vale #fundação renova #fundão #mpmg


domingo, 16 de fevereiro de 2020

Medidas de contenção da Vale parecem insuficientes e demandam ação do Estado - 30-01-2019

Níquel e Arsênio no Paraopeba

Os metais pesados níquel e arsênio foram detectados pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) na água do Rio Paraopeba, no trecho entre Pará de Minas e Pompéu, em janeiro de 2020. A confirmação foi enviada pelo Instituto ao G1 através de nota, nesta sexta-feira (14). Os elementos não haviam sido encontrados na água na época do rompimento da barragem B1, da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho.
Nesta semana, o Igam divulgou que o uso da água bruta do Rio Paraopeba, entre Brumadinho e Pompéu, continua suspenso. O Instituto intensificou o monitoramento da qualidade da água bruta do Rio, além de ter determinado à Vale que reforce as análises.
De acordo com o Igam, atualmente, são 16 pontos monitorados no Rio Paraopeba no trecho impactado. Seis deles estão entre Pará de Minas e Pompéu. Com a chegada do período chuvoso, desde novembro o Igam monitora os pontos semanalmente, incluindo os localizados no Centro-Oeste de Minas.
Os resultados já eram esperados pelo Instituto por conta do período chuvoso e do revolvimento do material que ainda se encontra depositado no leito do rio, sobretudo nas áreas próximas ao rompimento.

Monitoramento

Em nota à reportagem, o Igam explicou que o aparecimento dos elementos tóxicos foi detectado no dia 16 de janeiro, quando foram registradas extrapolações do limite de classe para os parâmetros níquel e arsênio na estação de amostragem localizada em Paraopeba.
“O níquel e o arsênio não haviam sido detectados na água à época do desastre durante a passagem da pluma de rejeitos, no trecho do Rio Paraopeba entre Pará de Minas e Pompéu”, diz a nota.
O Igam ressalta que é preciso considerar que o mês de janeiro deste ano apresentou um acumulado maior de precipitação, comparado com o mesmo período do ano anterior. Por isso, o Instituto associa os resultados encontrados com as chuvas intensas, aumento das vazões e o revolvimento do material que ainda se encontra depositado no leito do rio, sobretudo nas áreas próximas ao rompimento.
No trecho de monitoramento entre Pará de Minas e Pompéu, foram registradas desconformidades, durante o mês de janeiro, dos limites de classe 2 para os seguintes parâmetros: turbidez, manganês total, ferro dissolvido, alumínio dissolvido e chumbo total em todos os pontos de amostragem avaliados neste trecho do Rio Paraopeba.
Segundo a resolução nº 357, de 2005, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), as águas doces têm quatro tipos de classificação. A classe 2 define que são águas que podem ser destinadas:
  • Ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional
  • À proteção das comunidades aquáticas
  • À recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e mergulho, conforme Resolução Conama no 274, de 2000
  • À irrigação de hortaliças, plantas frutíferas e de parques, jardins, campos de esporte e lazer, com os quais o público possa vir a ter contato direto
  • À aquicultura e à atividade de pesca
O Igam explica ainda que o chumbo, que esteve abaixo do limite de classe durante o período seco de 2019, desde de dezembro do ano passado passou a registrar violações do limite de classe, em todos os pontos monitorados ao longo da calha do Rio Paraopeba, desde de Brumadinho até o ponto localizado a montante da UHE Retiro Baixo (região de Pompéu).

Rejeito de minério novamente liberado nos rios

No caso do rompimento da barragem do Fundão em Mariana, a represado de Candonga foi utilizada para reter a lama toxica enquanto dragavam o rio. O serviço não foi feito e Candonga abriu suas comportas. Mais um crime ambiental por omissão, por deixar de cumprir a reparação do crime ambiental. 

No caso do rompimento da barragem de Córrego do Feijão em Brumadinho, a Usina do Retiro também está sendo utilizada para reter sedimentos e impedir que estes cheguem até a UHE Três Marias. Também foi registrado que ela deixou verter água com a lama tóxica poluindo a barragem de Três Marias. Novo crime ambiental. 

Que providencias estão sendo tomadas judicialmente com relação a estes novos crimes? Qual foi a extensão desses novos crimes? Também não serão feitos estudos de impacto ambiental?

Que providencia estão sendo tomadas com relação para obrigar o cumprimento da determinação da dragagem dos rios?



Samarco e Vale voltam a contaminar Rio Doce com rejeitos de minério
quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Sem ter sido dragada desde 2015, a represa de Candonga, responsável por reter boa parte dos rejeitos de minério da antiga barragem de Fundão, em Mariana, teve suas comportas abertas na última terça-feira (28), levando novamente contaminação e novos prejuízos ainda incalculáveis para o Rio Doce e todos os municípios por ele banhados.
A situação gerou manifestações de órgãos de Minas Gerais e causou indignação em cidadãos e políticos também do Espírito Santo, como o deputado Enivaldo dos Anjos (PSD), militante da causa ambiental e crítico recorrente das mineradoras Vale e Samarco.
“Novamente assistimos de maneira impotente este grupo de pessoas irresponsáveis degradando o meio ambiente e causando mortes em nome do lucro desenfreado. Seria uma situação passível de prisão arbitrária em outros países, mas o poder público mais uma vez se ajoelha diante de empresários inescrupulosos e cheios de maldade no coração. Pobre do Rio Doce, pobre das pessoas que dependem dele para viver”, desabafou o deputado que chegou a pedir a prisão do ex-presidente da Fundação Renova, Roberto Waack, durante uma sessão da CPI da Sonegação de Tributos, por ele presidida.
O deputado também cobrou uma postura firme do Ministério Público Federal e de órgãos ligados à preservação do meio ambiente: "É preciso acabar com a boa vida dessa classe de criminosos no Brasil. Até quando vamos ter que viver sob esse tipo de absurdo? O Ministério Público Federal, a Procuradoria Geral, o Ministério do Meio Ambiente precisam tomar providências claras sobre o caso! Isso não pode ficar assim".
O mais novo episódio envolvendo a Samarco talvez atenda à expectativa de Enivaldo dos Anjos, uma vez que a empresa – por meio da Fundação Renova – deveria ter dragado todos os rejeitos depositados em Candongas até o prazo de 2018. Dois anos depois, em vez disso, as fortes chuvas que atingem a região central do estado de Minas obrigaram a Cemig, empresa de energia responsável pela Usina abrir suas comportas levando cerca de 10 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério rio abaixo.
Os impactos da nova enxurrada de lama já podem ser sentidos em municípios como Governador Valadares, cidade de 245 mil habitantes do Leste de Minas e onde diferentes relatos apontam uma nova onda de peixes mortos e acúmulo de lama tóxica nos terrenos alagados às margens do rio que banha e abastece a cidade.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Governador Valadares, Elias Souto, conta ao jornal Estado de Minas que sua casa na Ilha dos Araújos (bairro nobre da cidade) foi atingida e que ficou encoberta por uma camada de 10 centímetros de material escuro semelhante a rejeitos de minério de ferro. Além de Elias Souto, o jornal traz relatos de pescadores e biólogos da região que voltam a se preocupar com o mesmo problema de quatro anos atrás.
“Nas últimas quatro enchentes, o rio tinha um outro tipo de lama. Agora, veio essa escura, com a aparência mesmo de rejeitos como os de Mariana e de Brumadinho. Estamos sendo atingidos novamente e de uma forma pior, pois esses materiais não tinham entrado em contato conosco. Quando isso secar, teremos poeira de rejeitos contaminando a cidade. Isso sem falar na vida aquática que vai ser novamente prejudicada se se tratar mesmo de rejeitos”, disse Souto.
Por causa dos rejeitos, o Ministério Público de Minas Gerais determinou que a Fundação Renova, responsável pela recuperação do Rio Doce, forneça informações, com urgência, sobre a situação e também sobre o plano emergencial para período chuvoso, o que ainda não teria sido cumprido.
Além do MP-MG, a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do estado declarou que “caso a contaminação do Rio Doce pelos rejeitos depositados na hidrelétrica forem confirmados, haverá responsabilização da Fundação Renova”. A Semad afirmou ainda que o consórcio Candonga que gerencia a Hidrelétrica Risoleta Neves através da Cemig, não teria responsabilidade sobre a possível contaminação.

BRUMADINHO
Cenário semelhante acontece com os rejeitos do crime ambiental de Brumadinho, que matou 272 pessoas, deixou 11 desaparecidas e contaminou a bacia do rio Paraopeba em 25 de Janeiro de 2019: recentemente, um vídeo onde a barragem da Usina de Retiro aparece vertendo água contaminada no rio foi divulgado pelo site Mídia Ninja e não foi rebatido pela mineradora Vale, responsável pela área.
A barragem foi utilizada, assim como Candonga, para contenção de rejeitos de minério vindos da antiga barragem do Feijão. Assim como no caso anterior, a medida teria caráter paliativo e todos os rejeitos deveriam ser dragados o quanto antes para evitar a contaminação das águas e margens do Paraopeba, um dos afluentes do Rio São Francisco.
Vale e Samarco ainda não se pronunciaram a respeito dos casos.
http://www.enivaldodosanjos.com/portal/noticia/ler/516/samarco-e-vale-voltam-a-contaminar-rio-doce-com-rejeitos-de-minerio


sábado, 15 de fevereiro de 2020

Juiz aceita denúncia contra 16 por 270 homicídios de Brumadinho

Risco de rompimento da barragem era 20 vezes maior que o aceitável, afirmam peritos da PF.
sábado, 15 de fevereiro de 2020

O juiz de Direito Guilherme Pinho Ribeiro, da 2ª vara Cível, Criminal e de Execuções Penais da Comarca de Brumadinho/MG, recebeu nesta sexta, 14, denúncia criminal do MP/MG referente ao rompimento da Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, pertencente à mineradora Vale, em Brumadinho, em janeiro de 2019.
Foram denunciadas 16 pessoas — entre elas o então diretor presidente da Vale, diretores, gerentes, geólogos, engenheiros, consultores —, além da Vale S.A. e Tüv Süd Bureau de Projetos e Consultorias Ltda. Eles foram denunciados, 270 vezes, por homicídio qualificado, crimes contra a fauna, crimes contra a flora e crime de poluição.
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Os denunciados são Fábio Schvartasman, Silmar Magalhães Silva, Lúcio Flavo Gallon Cavalli, Joaquim Pedro de Toledo, Alexandre de Paula Campanha, Renzo Albieri Guimarães de Carvalho, Marilene Christina Oliveira Lopes de Assis Araújo, César Augusto Paulino Granddchamp, Cristina Heloíza da Silva Malheiros, Washington Pirete da Silva, Felipe Figueiredo Rocha, Chris-Peter Meier, Arsênio Negro Júnior, André Jum Yassuda, Makoto Namba e Marsílio Oliveira Cecílio Júnior.
A Vale e a Tüv Süv foram denunciadas por crimes ambientais.
Para o magistrado, estavam presentes os requisitos necessários para recebimento da denúncia, que contém a exposição de todos os fatos criminosos imputados, com todas as suas circunstâncias, a qualificação dos acusados e esclarecimentos pelos quais se possa identificá-los, a classificação dos crimes e o rol das testemunhas.
Processo: 0003237-65.2019.8.13.0090
A denúncia
denuncia foi apresentada no último dia 21, na semana em que a tragédia completou um ano. Segundo o MP, em 25 de janeiro de 2019, "os denunciados mataram 270 pessoas, entre elas, funcionários da Vale e de empresas terceirizadas, moradores do município de Brumadinho e visitantes". A denúncia sustenta que os crimes de homicídio "foram praticados mediante recurso que impossibilitou ou dificultou a defesa das vítimas, já que o rompimento da barragem ocorreu de forma abrupta e violenta". "Isso tornou impossível ou difícil a fuga das centenas de pessoas que foram surpreendidas em poucos segundos pelo impacto do fluxo da lama."
Os crimes de homicídio foram praticados através de ‘meio que resultou em perigo comum, uma vez que um número indeterminado de pessoas foi exposto ao risco de ser atingido pelo violento fluxo de lama, notadamente funcionários da Vale e de empresas terceirizadas e pessoas na região da área atingida’, registra o Ministério Público. Houve, ainda, a prática de crimes ambientais contra a fauna, a flora e de poluição, conforme relata a denúncia.
A promotoria pediu prisão preventiva do denunciado Chris-Peter Meier. Tal pedido foi negado ao entendimento de que ‘não há, no momento, elementos a justificar o seu deferimento’. Também foram negados pedidos para que os denunciados se ausentem do país.
O juiz registrou em sua decisão que o processo criminal já possui 18.688 laudas, com 79 volumes físicos, além de centenas de documentos, vídeos e áudios armazenados em HDs, CDs, DVDs e USBs Flash Drives. Os arquivos digitais têm aproximadamente 5 terabytes; e a denúncia, 477 laudas.
O MP/MG pediu o arquivamento da denúncia em relação a Gerd Peter Poppinga, Arthur Bastos Ribeiro, Hélio Marcio Lopes de Cerqueira, Tércio Andrade Costa, Wagner José de Castro, Rodrigo Arthur Gomes de Melo, Ricardo de Oliveira, Marcelo Pasquali Pacheco, Vinicius da Mota Wedekin, Dênis Rafael Valentim, Maria Regina Moretti, Fernando Alves Lima, Lucas Samuel Santos Brasil e Sérgio Pinheiro de Freitas. O pedido de arquivamento foi deferido pelo juiz.